Como contestar uma negativa do plano de saúde
NEGATIVAS DE COBERTURA
7/3/20263 min ler


Alguns medicamentos precisam ser iniciados rapidamente. Outros não podem ser interrompidos sem risco de agravamento, progressão da doença ou perda da resposta terapêutica.
Nesses casos, a demora administrativa pode comprometer a própria finalidade do tratamento.
Uma tutela de urgência — frequentemente chamada de liminar — pode ser utilizada para pedir que o plano autorize ou forneça o medicamento antes do julgamento definitivo.
Quais são os requisitos da liminar?
Em termos gerais, devem ser demonstrados:
Probabilidade do direito
Elementos que indiquem que a cobertura é juridicamente devida:
contrato;
segmentação;
Rol;
DUT;
natureza do medicamento;
registro na Anvisa;
indicação médica;
requisitos de cobertura excepcional.
Perigo da demora
Risco de que o tempo cause:
agravamento;
progressão;
perda de função;
internação;
recidiva;
interrupção do ciclo;
resistência;
redução das chances terapêuticas;
risco à vida.
Urgência clínica e cobertura jurídica são questões relacionadas, mas diferentes. A urgência não transforma automaticamente uma tecnologia excluída em cobertura obrigatória.
O relatório médico deve dizer apenas que o caso é urgente?
Não.
O relatório deve explicar concretamente:
diagnóstico;
estágio ou gravidade;
medicamento;
dose;
via;
duração;
data prevista para início;
tratamentos anteriores;
risco do atraso;
risco da interrupção;
prazo máximo tolerável;
alternativa disponível;
razão pela qual a alternativa não serve;
evidência científica;
registro na Anvisa.
Expressões genéricas como “urgente” ou “indispensável” podem ser insuficientes sem fundamentação clínica.
É necessário esperar todos os recursos administrativos?
Não existe regra geral obrigando o paciente a esgotar completamente a via administrativa.
Entretanto, é importante demonstrar:
solicitação;
protocolo;
negativa;
omissão;
atraso;
pedido de reanálise, quando o tempo permitir.
Em situações graves, a urgência pode justificar a adoção de medida judicial antes do encerramento de todas as etapas administrativas.
Quanto tempo o plano tem para responder?
A RN nº 623/2024 prevê resposta imediata para urgência e emergência.
Nos demais casos assistenciais:
até 5 dias úteis, como regra;
até 10 dias úteis para procedimentos de alta complexidade e internações eletivas.
Esses prazos se referem à resposta conclusiva, não necessariamente à efetiva disponibilização do tratamento.
Para tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral, a ANS indica prazo máximo de atendimento de 10 dias úteis, observadas as regras específicas.
O juiz concede liminar apenas com a receita?
Não necessariamente.
A documentação costuma ser mais consistente quando inclui:
receita;
relatório;
exames;
negativa;
protocolo;
contrato;
registro na Anvisa;
Rol e DUT;
estudos;
diretrizes;
orçamento;
prova da urgência;
cronograma terapêutico.
Em medicamentos fora do Rol, será necessário enfrentar os critérios do STF.
O pedido pode garantir o tratamento completo?
A tutela pode buscar:
fornecimento imediato;
autorização por ciclo;
continuidade enquanto houver prescrição;
custeio da aplicação;
materiais e taxas;
exames relacionados;
transporte especializado, em situações específicas;
proibição de interrupção injustificada.
A extensão dependerá do caso, da prescrição e da decisão judicial.
O plano pode entregar medicamento diferente?
A operadora pode propor medicamento equivalente ou alternativa terapêutica.
O médico deve esclarecer se:
o princípio ativo é o mesmo;
a apresentação é equivalente;
a dose é adequada;
a substituição é segura;
existe risco na troca;
o paciente já falhou à alternativa;
a mudança interfere na continuidade.
Não se deve confundir preferência por marca com necessidade clínica de formulação específica.
Cabe multa por descumprimento?
O juiz pode fixar multa para estimular o cumprimento.
A multa:
não é automática;
não substitui o medicamento;
pode ser alterada;
depende do teor da ordem;
exige demonstração do descumprimento.
Posso comprar antes da decisão?
Em alguns casos, a urgência torna a compra inevitável.
Contudo, é preciso considerar:
impacto financeiro;
risco de reembolso limitado;
discussão sobre rede;
necessidade de autorização;
preço praticado;
possibilidade de continuidade.
Guarde todos os documentos.
A liminar é garantida?
Não.
O juiz pode:
conceder;
conceder parcialmente;
pedir esclarecimentos;
consultar apoio técnico;
determinar manifestação da operadora;
exigir complementação;
indeferir.
Por isso, não é correto prometer resultado ou prazo exato.
Checklist para urgência
Receita atualizada;
relatório detalhado;
cronograma;
data do próximo ciclo;
exames;
negativa;
protocolo;
Anvisa;
Rol e DUT;
evidências;
orçamento;
prova do risco;
documentos do plano;
comprovantes de pagamento.
Conclusão
O pedido urgente deve demonstrar duas coisas: por que o medicamento deve ser coberto e por que o paciente não pode esperar.
Casos de urgência exigem avaliação imediata da documentação médica, da negativa, da regularidade sanitária e do risco da interrupção do tratamento.
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